sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sopram ventos de mudança...


Realizou-se ontem, dia 18 de Setembro ás 18 horas, a reunião apelidada de "decisiva" pela Ordem dos Enfermeiros. Da reunião entre o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros e a Dr.ª Ana Jorge, Ministra da Saúde, e o Dr. Francisco Ramos, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, surgiu o seguinte:

"- Houve da parte da Senhora Ministra da Saúde e do Senhor Secretário de Estado um compromisso claro no sentido do Ministério viabilizar a revisão estatutária e a aplicação do Modelo de Desenvolvimento Profissional proposto pela OE, os quais implicam, entre outros aspectos, a criação de um ano de transição entre o percurso académico e a entrada na profissão dos jovens licenciados (vulgo «internato»).

- A OE recorda que este período de transição é fundamental para que a integração dos jovens licenciados – e também de enfermeiros que tenham estado afastados da prática clínica durante tempo significativo – seja feita de forma adequada, devidamente estruturada, com segurança e qualidade para os profissionais de saúde, mas sobretudo para as pessoas que recebem cuidados de Enfermagem. A Ordem dos Enfermeiros defende que este período de prática tutelada deve ter a duração de um ano, mas está disponível para rever esta questão com o Ministério da Saúde. Durante este período de «internato», o enfermeiro recém-licenciado terá um título profissional provisório, exercendo a actividade profissional sob supervisão. Após esse período, será atribuído pela OE o título profissional definitivo e o enfermeiro poderá desenvolver o exercício profissional autónomo.

- A equipa ministerial e a OE acordaram em desenvolver todo um trabalho que visa a operacionalização deste Modelo de Desenvolvimento Profissional, sendo que para isso será criado, ainda hoje, um grupo de trabalho conjunto. Por parte da OE, os elementos nomeados para este grupo de trabalho são a Enf.ª Teresa Oliveira Marçal, Vice-presidente da Ordem e membro do Conselho Directivo responsável por esta pasta, e a Enf.ª Lucília Nunes, Presidente do Conselho de Enfermagem da OE. O Ministério da Saúde indicará dois elementos.

- A Senhora Ministra da Saúde comprometeu-se a levar a Conselho de Ministro, até ao final de Dezembro de 2008, uma proposta que criará as condições legislativas para a viabilização da revisão estatutária da OE.

- A OE encara a reunião de ontem como muito positiva para a qualidade e segurança dos cuidados de Enfermagem prestados aos cidadãos, uma vez que o Conselho Directivo da OE está convicto que os compromissos assumidos pela equipa ministerial terão implicações decisivas no desenvolvimento da profissão, na motivação e na satisfação dos profissionais. Acredita-se, igualmente, que com esta decisão da equipa ministerial foi dado o primeiro passo para a criação de instrumentos para assegurem um desenvolvimento e melhoria da regulação profissional por parte da OE, considerando os desafios que o futuro nos coloca.

- Serão agendadas para a próxima semana reuniões com o Dr. Francisco Ramos, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, e com o Dr. Manuel Pizarro, Secretário de Estado da Saúde, para aprofundar a discussão com a OE em torno de propostas no âmbito das dotações seguras de recursos humanos em Enfermagem, reforma dos Cuidados de Saúde Primários e Rede de Cuidados Continuados Integrados."

Sopram mesmo ventos de mudança...ventos benéficos para a Enfermagem. Parabéns Ordem, uma luta foi vencida, augúrios de sucesso para a Enf.ª Teresa Oliveira Marçal e Enf.ª Lucília Nunes, nomeadas para o grupo de trabalho conjunto com o Ministério. Por seu turno, o Ministério, comprometeu-se a levar a proposta legislativa até ao final de Dezembro.

Ver press-release completo Aqui.

(fonte: Ordem dos Enfermeiros, Imagem: Ordem dos Enfermeiros)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Aumentamos os efectivos

Ao contrário do que acontece no Sistema Nacional de Saúde, esta Sala de Enfermagem quer-se com os efectivos necessários. É um prazer anunciar que "contratamos" mais um autor, mais um Enfermeiro, que brevemente apresentará as suas palavras e resultados de pesquisa neste blogue.
Assinará sob o pseudónimo de Enfermeiro e, na opinião do Administrador, é sem dúvida uma mais valia para o "serviço".

Damos as boas vindas ao "Enfermeiro" e aguardamos ansiosamente a sua primeira contribuição.

O concurso continua aberto, façam chegar o desejo de integrar fileiras através do blogue!

A Ansiedade no Doente Cirúrgico (Artigo)

"A explicação das rotinas do serviço e dos procedimentos que envolvem a cirurgia, não deve de modo algum ser descurada, pois serve para eliminar o medo do desconhecido."


Vítor António Soares Santos

Enfermeiro do Bloco Operatório do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo

Formador na área da enfermagem Perioperatória na FORMASAU , Formação e Saúde Lda.


Resumo

Actualmente ninguém coloca em questão, que intervenção cirúrgica é uma experiência geradora de ansiedade para o utente, tanto a nível psicológico, como fisiológico, na medida em que o utente tem pouco controlo sobre a situação. Esta ansiedade é variável de utente para utente e são vários os factores que estão na sua origem.

Assim, são frequentes os sentimentos relacionados com a ansiedade, medo do desconhecido e impotência.


Ansiedade

De acordo com KAPLAN, SADOCK e GREBB (1997:545), a ansiedade é “…uma vivência comum de virtualmente qualquer ser humano.”, é uma sensação que se caracteriza por “…um sentimento difuso desagradável e vago de apreensão, frequentemente, acompanhado por sintomas autonómicos como cefaleia, perspiração, palpitações, (…) inquietação.”

Esta definição está de acordo com STUART e LARAIA (2001:306), que afirmam tratar-se de “…uma emoção e uma experiência individual subjectiva.” De acordo com estes mesmos autores o termo ansiedade, deriva da palavra latina “angere”, que significa “estrangular” e “causar sofrimento”.

DAVIDOFF (1983:440), por seu lado surge com o conceito de ansiedade como “… uma emoção caracterizada por sentimentos de previsão de perigo, tensão e aflição e pela vigilância do sistema nervoso simpático.” Esta definição lembra-nos a parte fisiológica da ansiedade, o stress. De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:130), “a ansiedade é uma reacção psicológica a factores de stress, com componentes fisiológicas e psicológicas.”

Esta ideia é reforçada por NEEB (1997:185), que afirma “o stress provoca ansiedade”, este na maioria dos casos é associado a situações negativas, embora as coisas positivas da vida também produzam stress. De acordo com a mesma autora, “este stress resultante de experiências positivas é denominado de eustress.” (NEEB, 1997:185), este eustress pode produzir tanta ansiedade quanto os factores de stress negativos.

De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:122), “a reacção ao stress inclui componentes de carácter intelectual, comportamental e emocional, como actos de tomada de decisão, recusa e raiva, bem como componentes fisiológicas.”


Fisiologia da Ansiedade

As componentes fisiológicas e suas secreções, as hormonas e catecolaminas, são responsáveis pela resposta neuroendócrina aos factores de stress. Segundo CASSMEYER e MARANTIDES (2003:122), “o hipotálamo estimula a hipófise anterior, libertando hormonas…”, que vão estimular a libertação de catecolaminas, cortisol, aldosterona e hormona antidiurética. A adrenalina e a noradrenalina, são catecolaminas associadas à excitação dos receptores α e β adrenérgicos. A estimulação destes receptores influencia, por exemplo o aumento da actividade cardíaca e a broncodilatação.

Já o cortisol é libertado pelo córtex supra-renal, sob controlo hormonal, e de acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), “tem os seus efeitos principais no metabolismo da glucose, no metabolismo proteico e lipidico e no equilíbrio hidroelectrolitico; tem também efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores.” Segundo as mesmas autoras, o cortisol aumenta também os efeitos de outras hormonas e catecolaminas na manutenção do débito cardíaco e da pressão arterial. CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), voltam a reforçar esta ideia, explicando que:

      “O efeito do cortisol no metabolismo, nos líquidos e nos electrólitos, para além da sua acção permissiva noutras hormonas, parece lógico como reacção às necessidades do organismo em presença de factores de stress. No entanto, os efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores parecem ilógicos, na medida em que poderão ser mais nocivos do que úteis.”

Por seu lado a aldosterona é libertada no córtex supra-renal, e vai provocar a reabsorção de água e sódio, e a excreção de potássio e iões de hidrogénio. Segundo CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), este efeito fisiológico tem como fim, “… manter o volume vascular e a pressão arterial.”

Quanto à hormona antidiurética, também conhecida como vasopressina, esta é libertada pela hipófise posterior, após estimulação do hipotálamo. Esta hormona também actua nos tubulos distais e canais colectores renais, provocando reabsorção de água, embora “em concentração elevada, pode resultar em vasoconstrição das arteriolas e pode ajudar a aumentar a pressão arterial.” (CASSMEYER e MARANTIDES, 2003:126).


Ansiedade vs Medo

A ansiedade e o medo são dois conceitos distintos. De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:130), “a ansiedade é um sentimento de apreensão ou desconforto, com origem não reconhecida.”, que difere do medo, na medida em que este “é um sentimento de apreensão focalizado numa fonte reconhecida.” O objecto do medo é fácil de especificar, enquanto que o objecto da ansiedade não é claro, tal como refere KAPLAN, SADOCK e GREBB (1997:545), “a ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga ou de origem conflituosa.” Por seu lado DAVIDOFF (1983:441), acrescenta que em termos de intensidade, a intensidade do medo é proporcional à magnitude do perigo, enquanto que na ansiedade, a sua intensidade “…tem a probabilidade de ser maior do que o medo objectivo (se for conhecido).”


Intensidade da Ansiedade

No que concerne à intensidade da ansiedade, PEPLAU, citado por STUART e LARAIA (2001:306,307), identificou 4 níveis de ansiedade:

  • “A ansiedade leve está associada com a tensão da vida quotidiana. Durante esse estágio o indivíduo está alerta e o campo de percepção aumentado. A pessoa vê ouve e apreende mais que antes.(…)

  • A ansiedade moderada, na qual o indivíduo concentra-se apenas em suas preocupações imediatas, envolve o estreitamento do campo de percepção, já que a pessoa vê, escuta e apreende menos. (…)

  • A ansiedade intensa é marcada por uma redução significativa no campo da percepção. O indivíduo tende a focalizar um detalhe específico e a não pensar em qualquer outra coisa. (…)

  • O pânico está associado com perplexidade, temor e terror. (…) O indivíduo não consegue funcionar mais como um ser humano organizado. (…) A pessoa em pânico é incapaz de comunicar ou de funcionar efectivamente. Esse nível de pânico não pode persistir indefinidamente, pois é incompatível com a vida.”

Assim, facilmente se depreende que podemos ir desde um estadio que pode motivar aprendizagem e produzir desenvolvimento (ansiedade leve), passando por outro estadio em que o indíviduo se abstém de determinados aspectos e foca-se num aspecto em particular (ansiedade moderada), passando por outro em que se direcciona toda a atenção e acção para o alivio da ansiedade, com grande diminuição da percepção (ansiedade intensa) e eventualmente atingir um estadio extremo em que exista maior actividade motora, menor capacidade de se relacionar com os outros, percepções distorcidas e perda do pensamento racional (pânico).

A ansiedade pode também afectar a aprendizagem, pois, de acordo com DAVIDOFF (1983:444), “em termos do nosso modelo de memória (…), a ansiedade pode influenciar a codificação, armazenamento e/ou recuperação.” De acordo com a mesma autora, as pessoas ansiosas podem sentir problemas de codificação que interferem na colocação da informação na memória.


Causas da Ansiedade

Na génese da ansiedade, estão vários factores. FREUD citado por DAVIDOFF (1983:442), refere dois grupos de factores desencadeantes do estado ansioso: “… perigos do mundo real e (…) previsão de punição por expressar impulsos sexuais agressivos ou outras formas proibidas (…) comportamento imoral.” No primeiro grupo temos, o facto da ansiedade ser causada por situações reais que levam ao sofrimento físico, enquanto que no segundo grupo a ansiedade é causada por cognições. De acordo com DAVIDOFF (1983:442), “…tanto os conflitos cognitivos, como as situações potencialmente perigosas parecem capazes de excitar ansiedade.”

Cirurgia como causa de Ansiedade

Mesmo que para os profissionais de saúde, algumas intervenções cirúrgicas sejam consideradas como pouco complexas, a cirurgia é sempre um processo marcante para o utente e família. De acordo com LONG (1999:456), “a cirurgia é um desencadeador de stress, tanto psicológico (…) como fisiológico (…).” Assim a cirurgia é portanto, uma ameaça potencial ou mesmo real para a integridade corporal do indivíduo, enquadrando-se perfeitamente no grupo dos factores desencadeantes de stress, do mundo real.

De acordo com NETO e NETO (1995:63), como factores geradores de stress pré-operatório mais comuns, temos o modo como o doente é admitido, a mudança de estatuto, o conceito de anestesia/intervenção cirúrgica e a rotura com o quotidiano. Como outros factores, que produzem stress tanto no doente cirúrgico, como no doente do foro médico em contexto hospitalar, temos a perda da independência, a presença de circunstâncias não familiares, separação do conjugue, problemas económicos, isolamento de outras pessoas, separação da família, falta de informação e ameaça de doença grave.

No que concerne ao modo de admissão, é determinante “…a familiarização com o hospital, com o serviço onde irá ficar internado, com o cirurgião que o irá operar, com a equipe de enfermagem que o vai cuidar.” (NETO e NETO, 1995:63). De modo a minimizar o desencadeamento de stress, o doente também deverá ficar ao corrente da sua situação e de como irá decorrer a intervenção cirúrgica. Deve-se ter em conta, que apesar de toda a preparação prévia, há sempre uma certa ansiedade, quanto mais não seja, relacionada com a entrada num meio novo e desconhecido. Assim a mudança de estatuto, provocada pela hospitalização, faz com que a pessoa se sinta doente mesmo que não esteja. De acordo com NETO e NETO (1995:64), trata-se de “…um fenómeno próprio do meio hospitalar, onde o conceito de doente predomina.” Assim é induzido um comportamento de estar doente, com todas as suas implicações psicológicas. A hospitalização e a mudança de estatuto, vão originar por sua vez a rotura com o quotidiano, pois de acordo com NETO e NETO (1995:65), “A vida familiar, o trabalho, os projectos, o ritmo de vida, as actividades de lazer…todas as referências que organizam a vida quotidiana ficam à porta do hospital.” De facto um novo ritmo é imposto ao utente, que inclui novo horário para despertar, novo horário de refeições e uma série de novas normas para cumprir. A inactividade forçada e a dependência verificada em algumas situações, são duramente ressentidas pela maioria dos utentes, o que se justifica pelo facto da sociedade atribuir ao trabalho um valor essencial. Ainda que o seu peso seja relativo nesta matéria, “As visitas são um aspecto importante, pois com a sua presença podem ser compartilhadas as preocupações e as inquietações.” (NETO e NETO, 1995:65). Assim, deste modo, o utente apesar de se encontrar internado, pode ter acesso a uma pequena parte do seu quotidiano.

Por seu lado, tanto a anestesia como a intervenção cirúrgica são factores geradores de ansiedade/stress. De acordo com NETO e NETO (1995:64), “a anestesia, provocando a perda de consciência, na maior parte dos doentes poderá significar meio caminho andado para a morte.” A intervenção cirúrgica causa inquietude, não por si própria, mas pelo mistério que envolve a sala de operações. Segundo NETO e NETO (1995:65), a sala de operações é um meio misterioso, “…por ser o local onde se exerce um poder, – o poder sobre a vida e sobre a morte.” Esta percepção de anestesia e cirurgia, varia, de acordo com as eventuais experiências anteriores, sejam elas positivas ou negativas, dos utentes.


Papel do Enfermeiro

É fundamental que o Enfermeiro desenvolva a sua actividade no sentido de reduzir a ansiedade do utente, tendo como pedra angular de todo o processo as seguintes premissas:

  • Abordagem calma, simples e concisa da situação

  • Proporcionar um ambiente calmo

  • Promover a análise de sentimentos

  • Promover a utilização de mecanismos de coping, que ajudem a diminuir a intensidade da ansiedade para níveis que proporcionem ao utente um maior controlo sobre a situação

Este trabalho pode ser desenvolvido na admissão do utente e durante o seu internamento, se for o caso, assim como durante a Visita Pré-Operatória de Enfermagem, que assume grande importância na medida em que vai ser nesta ocasião que o utente vai ter o primeiro contacto com o Bloco Operatório, nomeadamente com os Enfermeiros deste serviço.

Assim, é portanto fundamental, que na admissão, o doente seja abordado calmamente, procurando perceber que representações é que este tem acerca da situação e esclarecer eventuais dúvidas. É importante que o doente sinta algum controlo sobre a situação, sendo que uma forma simples de lhe transmitir essa sensação, passa por exemplo, por apresentar o serviço de internamento (estrutura fisica, pessoal). A explicação das rotinas do serviço e dos procedimentos que envolvem a cirurgia, não deve de modo algum ser descurada, pois serve para eliminar o medo do desconhecido. Mas o cuidar não é feito apenas de transmissão de informações. Durante todo este processo, é fundamental escutar o doente atenta e pacientemente, assim como fazer uso do toque, no sentido de comunicar através do contacto táctil, transmitindo a segurança que por vezes as palavras não conseguem transmitir. Por último, não devemos esquecer o papel da família em todo o processo, que deve ser incluida desde o inicio nos ensinos e utilizada como recurso, no reforço dos mecanismos de coping do doente.


Conclusão

A hospitalização, implica uma mudança de estatuto, para o individuo, particularmente quando o seu estado de saúde é grave, ou envolve um procedimento invasivo, como a intervenção cirúrgica. O desconhecimento acerca do que o espera, potencia bastante a intensidade da ansiedade experimentada pelo utente.

Qualquer um de nós pode ter de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, sendo que é certo o aumento da intensidade da ansiedade, independentemente do suporte e representações que tenhamos acerca do acontecimento cirúrgico. Os Enfermeiros, devem portanto incluir a psicologia e a espiritualidade na abordagem ao utente e suas famílias, de modo a proporcionarem cuidados verdadeiramente holísticos.


Bibliografia

  • CASSMEYER, V.; MARANTIDES, D.- “Stress, Factores de Stress e Gestão do Stress”, In: PHIPPS, W. et al – Enfermagem Médico-Cirúrgica: Conceitos e Prática clínica. 6ª ed., Loures, Lusociência, 2003, ISBN: 972-8383-65-7

  • DAVIDOFF, L. L.- “Introdução à Psicologia”, São Paulo, Mc Graw-Hill, 1983.

  • KAPLAN, H.; SADOCK, B.; GREBB, J.- “Compêndio de Psiquiatria: Ciências do comportamento e Psiquiatria”, Porto Alegre, Artes Médicas, 1997 ISBN: 85 – 7307 – 211 - 3

  • LONG, B. – “Enfermagem Pré-Operatória”, In: PHIPPS, W. et al – Enfermagem Médico-Cirúrgica: Conceitos e Prática clínica. 4ª ed., Lisboa, Lusodidacta, 1999 ISBN: 972-96610-0-6

  • NEEB, K.– “Fundamentos de Enfermagem de Saúde Mental”, Loures, Lusociência, 1997 ISBN: 972-8383-14-2

  • NETO, H.; NETO, A.- “Factores Geradores de Stress Pré-operatório”, in Servir, Lisboa, vol. 43, nº 2, Março/Abril, 1995

  • STUART, G.; LARAIA, M.– “Enfermagem Psiquiátrica: Princípios e Prática”, 6ª ed., Porto Alegre, Artmed Editora, 2001 ISBN: 0-8151-2603-4

1º Congresso Nacional de Urgência Polivalente


O Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E. organiza nos dias 10 e 11 de Outubro de 2008, o primeiro Congresso Nacional de Urgência Polivalente.

O evento decorrerá no Auditório da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara, no Parque das Nações, em Lisboa.

Inscrição
- Valor da inscrição: 50€
- Pagamento por transferência bancária: NIB - 000 700 210 022 122 000 616

As inscrições devem ser enviadas para o email congresso.urgencia@gmail.com com o comprovativo da transferência e os seguintes dados:
Nome, Morada, Código Postal, Localidade, Telefone, E-mail, Local de Trabalho e respectivo telefone, Grupo Profissional.

São aceites inscrições até ao dia 30 de Setembro.

Para mais informações: Clique Aqui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O que se passou com a Enfermagem?


É do conhecimento geral, pelo menos dos profissionais e futuros profissionais de Enfermagem, que a situação está difícil. E chamamos-lhe situação por não existir outro termo para o descrever. A conjuntura não facilita, a economia vacila e quem não se sabe defender acaba invariavelmente por sofrer.
A Enfermagem, e os Enfermeiros (que chega de falar no abstracto) facilitaram no passado. Permitiram que, por falta de profissionais se formassem e utilizassem outros profissionais de forma...mais abrangente do que aquilo que seria de desejar. Os Enfermeiros, eles mesmos, desdobraram-se em trabalhos e trabalhinhos, com o argumento do aumento das contas correntes, e prejudicaram a imagem de uma Enfermagem que se quer moderna, profissional e necessária. Ora se com vinte profissionais se fará (aos olhos de uma miríade de gestores, administradores, economistas e estadistas esquecidos) o mesmo trabalho que se faria com trinta enfermeiros torna-se lógica a decisão de cortar no orçamento, de esquecer os cuidados (que aos olhos de quem gere se mantêm iguais) e optar pelo caminho da economia e da poupança desmedida. Cabe a nós, Enfermeiros de profissão, relembrar a quem de direito, como seria um mundo em que, um Enfermeiro faz "apenas" o trabalho de um Enfermeiro. Chega de correr pelos corredores, adormecer de exaustão pelas cafetarias, prejudicar a saúde em nome de um cavalo alado inexistente. Compreendo que apenas um Enfermeiro não conduz à mudança, mas uma mudança do paradigma profissional só beneficiaria o utente, as instituições e, no extremo, a equipa de saúde.
Não é possível ver, hoje em dia, o mundo como à 10 anos atrás. As regras empresariais apoderaram-se da economia, da gestão, da saúde e do bem-estar da população. A precaridade é a palavra de ordem, mas não existe ponto comum entre precaridade e alto desempenho. Esse desempenho só pode ser mantido com a constante actualização. Como podemos então GARANTIR a constante actualização por parte de Enfermeiros, Médicos, Radiologistas, Cardiopneumologistas, etc? Como podemos garantir iguais comportamentos e pesquisas se todos sabemos que a curiosidade e a motivação para aprender reside no interior de cada um de nós? A resposta, embora controversa é, no meu entender simples: Através de uma avaliação objectiva, concisa e, mais que tudo, quantificável. Não se avaliaria apenas o desempenho, mas sim o grau de conhecimentos, de especialização, de abrangência e consequentemente conseguir-se-ia um aumento da eficiência. Sistemas transparentes e honestos...como preconizado pela União Europeia. Não somos o primeiro grupo profissional a passar por dificuldades que, ainda por cima, todos consideramos conjuntural, em vez do fatalismo optemos pelo empreendedorismo. Limitemos o acesso ao ensino superior, limitemos ainda mais o acesso ao ensino superior privado...o acesso à educação é inteiramente público, desde que se cumpram os requisitos para esse mesmo acesso. Deve ser igual para todos os jovens portugueses...ora se uns entram sem esforço (que não económico) e outros sofrem para um acesso gratuito (ou tendencialmente...a 900 euros), inicia-se logo aqui um paradoxo. Mais um.

"Como salvar uma vida." (Curso intensivo de 20 horas!?)


Se alguém duvidava que os tempos eram de vigilância, eis que surge, desta vez com a chancela da Ordem dos Farmacêuticos (secção regional de Lisboa). O Presidente da supracitada secção, citado no blogue Doutor Enfermeiro, refere que:


"(...) A propósito de as vacinas começarem a ser administradas nas Farmácias (acto técnico cuja validade diz respeito à Ordem dos Enfermeiros), "Farmacêuticos vão aprender a reanimar doentes "!

"A Ordem [dos Farmacêuticos] vai realizar cursos em conjunto com o Instituto Egas Moniz, mas a Associação Nacional de Farmácias, várias cooperativas e institutos do ensino superior vão fazê-lo"
"Os cursos têm 20 horas e vão começar em Setembro, para que os conhecimentos estejam frescos a partir de Outubro".


A formação irá permitir [segundo a Ordem dos Farmacêuticos, "reforçar conhecimentos de suporte básico de vida, que foram apreendidos na universidade". Normalmente, não há efeitos secundários, porém, se houver casos de choque anafiláctico (alergia), "pode ser preciso fazer reanimação ou tratar, localmente, as reacções alérgicas", diz (...)".


O que, certamente o Presidente da Secção Regional não se recordou é que o choque anafilático, quando não encaminhado rápida e correctamente pode levar a Paragem Cárdio Respiratória. E, segundo as indicações do ECR (2005) e do Centro de Formação Médica do INEM (2006) é "pouco provável que a vitima recupere apenas com Suporte Básico de Vida(...) sendo o acesso ao Suporte Avançado de Vida e à Desfibrilhação Precoce (se ritmo cardíaco compatível) uma prioridade". Ora, dificilmente este curso de 20 horas permitirá um conhecimento abrangente sobre fisiologia em PCR...e certamente que não permite uma avaliação experiente, complexa, multifactorial e reservada até aos dias de hoje para médicos e enfermeiros. Se existe a leve possibilidade (real ainda por mais) de um procedimento técnico levar a situações desta gravidade então não deveriam de ser levados a cabo em ambientes seguros e controlados com acesso a médico e enfermeiro imediato? Ou devemos esperar que 20 horas de ténue formação permitam efectuar Suporte Básico de Vida enquanto, desesperadamente, se aguarda a activação e deslocação de uma VMER?

Escala de Braden para Avaliação de Risco de Úlceras de Pressão

A Escala de Braden é um instrumento de avaliação constituido por 6 itens, que nos permite quantificar o risco de um doente desenvolver Úlceras de Pressão e determinar as medidas preventivas adaptadas a esse mesmo risco.

Estudo de caso acerca de Úlceras de Pressão em Medicina Intensiva (Aqui);
Escala de Braden (Aqui).

Directrizes de nutrição na prevenção e tratamento de úlceras de pressão

"As úlceras de pressão resultam de uma complexa interacção entre inúmeros factores de risco externos e internos – força mecânica excessiva, imobilidade, incontinência, idade avançada, entre outros. As consequências da imobilidade são frequentemente vistas como o principal factor que predispõe ao início do desenvolvimento das úlceras de pressão, mas é também sabido que existe uma relação causal entre a nutrição e o desenvolvimento das úlceras de pressão. (...)"

Leia tudo Aqui.

in European Pressure Ulcer Advisory Panel (2008) disponível online em
http://www.gaif.net/images/Epuap/epuapnutricaodirectrizes.pdf

Formação e Novos Cursos

A Learn&Care, uma empresa de formação, especialista na formação em cuidados de saúde, e que é detida pela Primus Care, cuja a actividade foca-se na prestação de cuidados de saúde e apoio domicliário. Anunciou a abertura, para Outubro, das seguintes Acções de Formação:


Curso "Administração de Terapêutica Subcutânea e Hipodermóclise"
Datas: 4 de Outubro a 8 de Novembro.
Duração: 32 Horas.
Destinatários: médicos e enfermeiros



Curso "Tratamento de Feridas"
Datas: 7 de Outubro a 27 de Novembro.
Duração: 60 Horas.
Destinatários: enfermeiros



Curso "Intervenções de Enfermagem em Técnicas Dialíticas"
Datas: 6 de Outubro a 26 de Novembro.
Duração: 60 Horas.
Destinatários: enfermeiros



Curso "Suporte Básico de Vida e Traumatologia"
Datas: 7 de Outubro a 27 de Novembro.
Duração: 60 Horas.
Destinatários: enfermeiros


Mais informações disponíveis em: http://www.learnandcare.com/quemsomos.htm

"A LEARN&CARE tem a missão de promover, organizar e gerir acções de formação dirigidas a profissionais e cidadãos com necessidades específicas, quer formação aberta, quer formação especializada. Tem como públicos alvo, enfermeiros, auxiliares de acção médica, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, psicólogos e ainda outros grupos para os quais as contribuições da enfermagem e das ciências humanas e sociais podem ser relevantes para as práticas profissionais e para a valorização dos recursos humanos: educadores, formadores, técnicos superiores de serviço social, “cuidadores informais”, entre outros."

(in http://www.learnandcare.com/quemsomos.htm, online em 17 de Setembro de 2008, às 15:56)


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cada macaco...

...no seu galho!
O ditado popular é conhecido de todos mas, algumas classes, tendem a esquecer.
Ultimamente, que agora há todos os dias alguma, a polémica tem sido a administração de injectáveis por parte de Farmacêuticos.
A Ordem dos Enfermeiros não se fez esperar e emitiu, no dia 30 de Agosto de 2008 o Parecer nº 46/2008, que versa sobre a disputa acima referida.

Este documento pode ser lido Aqui.


Não compreendo qual a grande disputa. Aliás no meu simples e modesto modo de pensar, sem grandes devaneios que o tempo é de contenção, não vejo onde está a fundamentação para tal actividade. Não vejo tanta movimentação para a administração de Micro Enemas (Microlax(R) por exemplo) ou para a administração de medicação de aplicação tópica. No caso da vacinação a sua administração por Farmacêuticos é pura e simplesmente anedótica. Pela quantidade de efeitos adversos possíveis, efeitos laterais e complicações GRAVES associadas à administração deste tipo de fármaco.
Aguarda-se uma punição exemplar para os Enfermeiros que, inconscientemente, tenham realizado as acções de formação (20 humorísticas horas).