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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

HOJE!

Análise do Relatório da OCDE


OECD Health Data 2008
How Does Portugal Compare



Relatório que combina a análise do investimento na saúde e a análise do número de profissionais, em relação à média dos países da OCDE.

Alemanha | Austrália | Áustria | Bélgica | Canadá | Coreia do Sul | Dinamarca | Eslováquia | Espanha | Estados Unidos da América | Finlândia | França | Grécia | Hungria | Irlanda | Islândia | Itália | Japão | Luxemburgo | México | Noruega | Nova Zelândia | Países Baixos | Polónia | Portugal | Reino Unido | República Checa | Suécia | Suíça | Turquia

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Aqui não se fazem greves de brincar.


Já chega de apoiar o sindicalismo corporativista do "arranja um papel a dizer que és delegado sindical e, no dia da greve, argumentas actividade sindical".

Caros colegas, a função da greve é, pontualmente, encetar uma jornada de luta por algum direito que se considere legalmente mal atribuído ou mesmo sem atribuição. Destaco o pontualmente. A função da greve é causar o incómodo, é ser mediático e difundido. A realidade é lamentável, já NINGUÉM tem paciência para as greves levadas a cabo por Enfermeiros... Em breve nem a atenção dos sedentos meios de comunicação teremos! Chega de greves de brincar.

A vulgarização e massificação foi um dos maiores erros da Enfermagem portuguesa...bastando para isso observar o número de licenciados que, anualmente, se produzem. Em série, em massa, como numa linha de montagem. Será esse o erro dos Enfermeiros? Não saber quando parar e direccionar a luta noutro sentido?

Até à proxima greve, algures daqui a dois ou três meses. Suspeito que não será dificil elaborar os manifestos...no fundo, as reivindicações não mudam...é pena. Da nossa parte fica a promessa... Se a greve for realista, inteligente, maciça e organizada...Estaremos na linha da frente. Até lá, chega de marasmos.

Destaco a leitura do artigo publicado no CM, dia 16 de Fevereiro, na íntegra: CLIQUE AQUI.


domingo, 8 de fevereiro de 2009

Açores I


"O Governo Regional pretende, a breve trecho, alargar o âmbito das suas bolsas de formação específica, contemplando os finalistas do curso de enfermagem que desejem prosseguir estudos, como médicos, em Medicina Geral e Familiar.

O anúncio foi feito ontem pelo secretário regional da Saúde, Miguel Correia, na sessão de abertura das comemorações dos 50 anos da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada." Ler aqui (clique)


Como se já não bastassem o conjunto de políticas absurdas, o conjunto de "bitaites" que tudo o que é condutor de ambulância manda, a precariedade e a falta de corporativismo, agora parece que a Licenciatura em Medicina é PROSSEGUIR os estudos em Enfermagem. Parece-nos que o curso de Licenciatura em Enfermagem já é, por si só, uma licenciatura. Ora sendo uma licenciatura, obter o grau de licenciatura noutra área, sendo já licenciado em Enfermagem dificilmente se pode considerar uma PROGRESSÃO de estudos. É, no máximo, um alargamento de conhecimentos e competências. Que péssima escolha de palavras, sua excelência.


O responsável por esta frase, certamente desconhecedor da realidade vivida pela Enfermagem nos últimos anos é Miguel Correia, responsável pela pasta da saúde no arquipélago onde já vimos de tudo. Inclusivamente a exclusão dúbia de candidatos num concurso público...que teve inclusivamente direito à atenção mediática em prime-time da SIC.

Surge, ainda assim, coerente dissertar curtamente acerca das esperanças, possibilidades e opiniões que a população, órgão soberano numa democracia, destina ao actual Secretário Regional da Saúde nos Açores.

«-Noventa e quatro por cento dos leitores do site Acores.rtp.pt não acreditam na capacidade do novo Secretário da Saúde para resolver os problemas do sector.

-Os leitores consideram que o Secretário será boicotado pelos interesses instalados.
-Num inquérito realizado pelo site nas últimas duas semanas, é residual o número de pessoas que acredita que o novo Secretário será capaz de melhorar o sector público da saúde.» Ler aqui (clique)

Estes dados, espelhados no site da RTP Açores, são indicativos da opinião pública. Largas maiorias, sempre duvidosas, muitas vezes enganadoras, mas sempre sinceras.

No entanto, o senhor Secretário de Estado aparenta possuir opiniões fundamentadas, certeiras e, mais que isso, objectivamente direccionadas no que toca ao diálogo multidisciplinar da saúde. Pensaria o senhor leitor que, dada a afirmação anterior de antemão, o senhor Secretário de Estado não aparenta ser Enfermeiro. Seria estranho que o fosse. Não consideraria então a Licenciatura em Medicina o resultado da progressão de um Licenciado em Enfermagem. Será então, dado o vasto conhecimento, um membro da distinta (sem sarcasmos) classe médica? Para obter essa informação, assim como outras, vamos recorrer ao sítio do Governo Regional dos Açores. Passamos a citar:

"Miguel Fernandes Melo de Sousa Correia nasceu em Angra do Heroísmo a 8 de Janeiro de 1972. É casado.

Licenciou-se em Economia na Universidade Nova de Lisboa, com especialização em Economia de Empresa, e tem trabalhado no no sector empresarial, designadamente como director financeiro.

Colaborou na implementação do modelo de contratualização dos hospitais açorianos e coordenou a preparação do concurso público para a construção e exploração do Centro de Radioterapia dos Açores, que funcionará em Ponta Delgada.

Membro da Ordem dos Economistas e da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, assumiu, em 2007, o cargo de vogal do Conselho de Administração da Saudaçor – Sociedade Gestora de Recursos e Equipamentos da Saúde dos Açores, SA." Ler aqui (clique).


Nota:

Da parte dos Enfermeiros, só nos resta esperar que mal entendidos deste género não voltem a ocorrer. É lamentável que se trate a classe dos Enfermeiros como meros "degraus" para um fim maior. O fim de medicina. Há quem queira mesmo ser Enfermeiro, Economista, Advogado, Médico, Arquitecto,...Palavras que nos entristecem, assim como a mercantilização empresarial da saúde. Felizmente, esquecemos cedo e não guardamos rancor.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Citação de blogue amigo...

«Cada vez tenho mais dificuldade em perceber o mundo da Enfermagem (paradoxal!). Recentemente tive oportunidade presenciar uma situação... estranha.

Vi um grupo de alunos de Enfermagem (estagiários) acompanhados do seu orientador (contratado pelo respectivo estabelecimento de ensino). Até aqui nada de relevante. O embaraçoso é que, naquele imenso conjunto, não consegui diferenciar o orientador dos alunos(!).
Quando o fiz (porque me indicaram quem era!), constatei que este (o orientador) deveria ter apenas mais três ou quatro anos que os próprios alunos. Mais engraçado ainda (mas sem piada!) é que o "Enfermeiro do serviço" destacado para os orientar - segundo me relataram - tem uns escassos meses de experiência profissional ("ainda nem integrado no serviço está!!").

Ao que parece os Enfermeiros mais velhos estão "cansados" de "acompanhar" as sucessivas "avalanches de alunos que inundam os serviços" sem direitos a pausas.
Comentei esta "passagem" com uma colega dessa instituição. Respondeu:
- "E têm sorte, já vi alunos de diferentes anos, que se encontravam a estagiar no mesmo serviço em simultâneo, a orientarem-se uns aos outros. Não havia ninguém que o fizesse numa base regular".
Não quis crer. Mas há mais:
- "Temos uma colega que conseguiu a proeza de iniciar a vida profissional sem nunca algaliar"...!
O meu pobre coração começa a ficar frágil para aguentar tudo isto e ver desmoronar algo que custou tanto levantar. Enfatizo: tanto! Não sei se acontece convosco, estimados colegas, mas às vezes nem sei bem se estou a sonhar (pesadelar não existe!) ou não!»

Escrito, como sempre, com mestria pelo Dr. Enfermeiro. Ver blogue AQUI.

Peço desculpa pela citação...Mas concerteza se entende o porque da minha perplexidade.
Este tipo de situação só pode acontecer numa profissão que, ironicamente, se esquece de si própria enquanto pensa apenas em si. Paradigmas de mudança, implicam unicamente uma evolução? Ou devemos falar apenas em...REGRESSÃO?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Vamos voltar...

O Sala-de-Enfermagem, após acertar agulhas (e os seus redactores também) vai voltar. Em força, em grande e com rigor. Mais ainda. Pelo menos de acordo com o ponto de vista dos Enfermeiros, essa classe malfadada.
Fica o aviso para as altas individualidades da saúde...Muahahahahah..ah...ah cof(!)..Gasp...

Deixamos ainda o rótulo:

REABERTO
Notícias Brevemente...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson

"A Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson tem um novo site, no qual podem ser colocadas questões directamente a um médico neurologista na área da doença de Parkinson.

Através do novo site, que versa sobre a área técnica e clínica da doença de Parkinson, os associados podem obter informações sobre artigos vistos na imprensa, legislação de relevo e informação sobre apoios."



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em busca da dignidade perdida...

Na Letónia é possível jantar, num restaurante criado por três médicos: os empregados de mesa servem vestidos de enfermeiros e a decoração remete para o ambiente hospitalar.

O restaurante chama-se simplesmente "Hospital" e foi aberto em Riga. Os clientes podem comer em mesas para exames médicos ou até mesmo numa cama ginecológica. Embora sirva pratos tipicamente europeus, o cardápio não foi deixado ao acaso e os pratos têm nomes referentes a doenças, como por exemplo "Debilitas Universalis Gravis".

De acordo com a BBC, o restaurante tem ainda um serviço especial: se o cliente quiser pode pedir para ser alimentado preso numa camisa-de-forças.


fonte: Expresso


Lamentável....e ridículo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Absens heres non erit. (*)

O Sala-de-Enfermagem divulga uma carta que tem circulado por alguns e-mails. Nada do que aqui está escrito reflecte a opinião de nenhum dos redactores do blogue. Embora a possamos subscrever.

"Caros Colegas Enfermeiros,

Há longa data, repetidamente reciclada, estamos todos à espera que a enfermagem tenha finalmente uma carreira digna dos profissionais de louvor a que diz respeito. Porém, há vários anos que isso nos é prometido e há outros tantos que tal é adiado. E, ao longo destes anos, enquanto este impasse se não resolve, todos vimos carreiras congeladas. Para além de já ganharmos mal relativamente ao trabalho que desenvolvemos, aos riscos que a nossa profissão acarreta e ás qualificações que possuímos, há vários anos que não há subida para ninguém! Nem sequer a licenciatura que todos foram obrigados a fazer nos serviu de nada! Dinheiro e tempo gasto na escola, para na prática se passar a receber mais 0 Euros! Fala-se actualmente que até Setembro a nova carreira de enfermagem terá que estar definida, mas sinceramente ninguém já acredita em nada. E mesmo que até Novembro seja definida uma nova carreira de enfermagem, acreditem meus amigos que será muito má, pois segundo as fontes que tenho a contraproposta apresentada pelo governo irá arruinar por completo a Enfermagem, e como sempre haverá alguém “que diz defender a classe de Enfermagem” que irá mais uma vez concordar com o governo e estará pronto a assinar a nossa “sentença de morte”.

Todavia colegas perguntam vocês: “Mas afinal de quem é a culpa de toda esta fraude que todos temos vivido na última década?”.

Para essa pergunta a resposta é facílima e eu próprio a tenho: “A CULPA é de todos nós caros colegas”! A culpa é nossa pois temo-nos deixado manipular como autênticos fantoches, temos sido vandalizados consentidamente, temos caído em todas as armadilhas e ciladas que nos têm sido montadas quer pelos sucessivos governos, quer por alguns membros de alguns Sindicatos e da Ordem dos Enfermeiros que apenas representam as respectivas fundações para beneficio próprio mesmo que para isso tenham que sacrificar toda uma profissão e toda uma classe de Enfermagem! E o que é que nós temos feito perante esta situação caros colegas? Temos ficado impávidos e serenos na esperança que um dia de manhã acordemos e todos os problemas da enfermagem tenham sido resolvidos!

Com muita pena minha, lamento dar-vos a triste noticia mas essa suposta manhã não vai chegar nunca, pois como todos já devem ter reparado, a cada dia que passa a enfermagem está cada vez mais no fundo do poço, estando a atingir um fundo tão longínquo que daqui a um pequeno nada, não existe corda nenhuma que a volte a agarrar e a trazer á tona da água.

Parem todos 1 minutos para pensar:
-O crescendo de escolas e vagas não parou desde o momento em que foi criada a licenciatura em Enfermagem, em 1999;

-Por ano saem das escolas de Enfermagem cerca de três mil licenciados em Enfermagem;

-Neste momento existem em Portugal cerca de três mil enfermeiros desempregados a trabalhar em lavandarias, caixas de supermercados e na construção civil, e daqueles que estão empregados muitos deles sujeitam-se a receber cerca de 500 euros mensais.

-Actualmente as escolas portuguesas de Enfermagem têm quinze mil alunos em formação e o número de vagas de ingresso no curso continua a aumentar!

Pensem agora o que será da enfermagem daqui a uns meros cinco anos. Haverá nessa altura cerca de 15 mil enfermeiros no desemprego. E calculo que todos consigam imaginar que uma profissão com quinze mil desempregados fique automaticamente sem poder reivindicativo, pois tudo no mercado se baseia na lei da oferta e da procura. Penso também que consigam imaginar, e isto também para aqueles que já estão em topo de carreira que o seu preço/hora poderá vir a baixar e poderão vir a ter que trabalhar mais e a receber...bem mas bem menos! É o que acontece com as uvas na altura das vindimas que são vendidas a uma terça parte do preço do que nas restantes épocas do ano pela grande dificuldade em dar escoamento a este produto na altura da sua colheita. Portanto não pensem que isto é um problema apenas dos mais novos pois esta crise irá ser vivida por todos os profissionais de enfermagem caso não seja travada atempadamente, e atempadamente será AGORA.

Mas afinal o que tem feito a nossa Ordem perante esta situação que todos conseguimos enxergar? Continua a dizer que faltam cerca de trinta mil enfermeiros em Portugal! O que têm feito os sindicatos? Distribuir papeis que publicitem trabalho do sindicato mas na prática não têm feito mais que receber as quotas mensais dos seus associados! Mas pior do que isso, o que temos feito todos nós estimados colegas? NADA, absolutamente nada! Temos todos sido uma verdadeira mole de lentificados e comodistas! Enquanto conjunto e força não temos lutado rigorosamente nada pelos nossos direitos e pela nossa carreira, e isso é vergonhoso!

É por isso meus amigos que hoje vos escrevo esta carta na esperança que todos levantem os braços e ponham mãos à obra! Recordem todos o que ainda o ano passado os nossos colegas finlandeses conseguiram graças à união:” Dezasseis mil enfermeiros finlandeses uniram-se e ameaçaram o governo com uma demissão em massa, caso não lhes fosse conferido um aumento de ordenado de 24%. O sistema de saúde finlandês ficou assim em risco de parar completamente. Perante isto o que pôde fazer o governo? Antes de terminar o prazo imposto pelos enfermeiros foi obrigado a ceder ás exigências impostas pela classe de enfermagem do referido país pois caso contrário o sistema de saúde entraria em rotura total.

Da mesma forma recordo-vos também o caos que ainda o mês passado o país viveu graças à pequena greve de três dias dos camionistas! Não sei se todos estiveram nas filas intermináveis de carros juntos das gasolineiras para meterem os derradeiros litros de gasolina, depois de terem passado por algumas já fechadas por terem esgotado os combustíveis, todos devem ter reparado na corrida aos supermercados para comprar os últimos produtos das prateleiras quase vazias e da ruptura de stocks de todos os supermercados que, para não alarmarem o país, não deixaram os jornalistas filmar o seu interior completamente desfalcado.

Agora pensem no caos que se geraria em Portugal se todos os enfermeiros se unissem uma vez na vida e fizessem uma paralisação total. Estão todos a imaginar os serviços de urgência a rebentar pelas costuras e a prestarem apenas os cuidados mínimos emergentes? Estão a ver os blocos operatórios todos a operarem apenas as emergências apesar das intermináveis listas de espera? Estão a ver os serviços de internamento completamente atulhados, a cheirarem nauseabundamente sem poderem admitir mais doentes os quais ficariam retidos nas urgências que por sua vez ficariam imediatamente sem macas e sem espaço para mais ninguém até ao ponto que já ninguém conseguiria passar as portas da admissão para dentro? E já pensaram no protesto que a população civil faria perante o governo? O Serviço Nacional de saúde entraria imediatamente em rotura, entraríamos imediatamente numa situação insuportável e incontornável, restando ao governo uma única solução, ceder a ás exigências feitas pela Classe de Enfermagem.

Penso que agora está claro para todos que se quisermos sair da “arrastadeira onde nos meteram e nos defecaram em cima” só haverá uma forma: Uma Aliança entre todos os enfermeiros fazendo uma GREVE POR TEMPO INDETERMINADO até o governo ceder à proposta que lhe for apresentada pela supracitada classe. Mas uma carreira decente para todos nós caros colegas. Eu tenho uma delineada que vos darei a conhecer futuramente caso estejam interessados em lutar ao meu lado. Uma carreira que mesmo aqueles que à partida não poderiam subir mais nada pela antiga carreira ainda poderão subir e ganhar mais uns bons belos euros, os quais por sua vez irão ter um grande impacto quando os colegas forem aposentados.

Uma única vez na vida vamos todos remar para o mesmo lado Senhores Enfermeiros. UNAM-SE, ASSOCIEM-SE, UNIFIQUEM-SE, REVOLTEM-SE contra o que nos têm feito. Deixem de se acobardar perante a pressão dos vossos chefes e dos vossos directores. ACREDITEM na nossa FORÇA pois todos unidos será impossível vencerem-nos. Eu acredito em vocês. Há por ai quem se ria de nós e diga que os enfermeiros são demasiado cobardes e medrosos para fazer uma coisa desta dimensão, mas seguidamente também dizem que se tivessem coragem para o fazer criariam imediatamente uma situação incontornável no país á qual o governo seria obrigado a ceder. Basta metade de nós ter coragem para o fazer. Mas eu acredito que serão todos a fazê-lo e não apenas metade. Façamos todos unidos, o 25 de Abril da Enfermagem.

É para uma GREVE POR TEMPO INDETERMINADO que eu apelo a todos os enfermeiros. Até aqui apenas têm sido feitas greves politicas da função pública e da frente comum dos sindicatos, ou seja, no final de contas apenas temos feito greves em proveito de outras classes profissionais. Agora greves exclusivas da classe de enfermagem quantas foram feitas na última década meus amigos? Nem vê-las e é por isso que este país nos tem torturado constantemente. Portanto está encontrada a solução para o problema da enfermagem e a um pequeno passo de ser posta em prática, mas para isso necessito da colaboração e união de todos vocês!"

Caros Colegas, retirem as vossas conclusões. Façam um exercício introspectivo e comentem em consciência.

Absens heres non erit - Não há ausentes sem culpa nem presentes sem desculpa



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ética em Enfermagem - Uma Luz com Futuro

Voltamos aos artigos de opinião no Sala-de-Enfermagem.
Desta vez temos para apresentar um artigo original da autoria da Enfermeira Nisa Gomes. Enfermeira no Hospital de Santo António dos Capuchos, observadora atenta da realidade no seu blogue "Rebenta a Bolha" e, por fim, redactora associada do Sala-de-Enfermagem.



Ética em Enfermagem
Uma Luz com Futuro

Decorreu no dia 26 de Setembro no Grande Auditório da Faculdade de Ciências de Lisboa, Campo Grande, o IX Seminário de Ética da Ordem dos Enfermeiros subordinado à temática “10 Anos de Deontologia Profissional, 60 Anos de Direitos Humanos”.

Com grande ênfase à abordagem dos direitos humanos enquanto base para o desenvolvimento e argumento da Deontologia, este seminário contou com a presença da Digníssima Bastonária da Ordem dos Enfermeiros Enfª Maria Augusta de Sousa, Professor Doutor Silveira de Brito, Professor Doutor Daniel Serrão, Enfª Teresa Oliveira Marçal, Enfº José Cerqueira, Enfª Merícia Bettencourt, Enfª Margarida Vieira, Enf.ª Lucília Nunes e Enf. Sérgio Deodato, entre outros. Todos os conteúdos expostos e debatidos encontram uma área comum de significância que reflecte a sua interdependência.

Pela sua complexidade, Ética e Deontologia encadeiam-se embora caracterizem entidades diferentes. Enquanto a primeira se rege pela noção do que é bom, a vida boa, poder-se-á fazer referência à Deontologia quando se integra o saber que remete para o saber fazer que diz respeito à praxis profissional. Neste sentido, e de acordo com Oliveira de Brito na sua intervenção, a Deontologia Profissional totaliza-se pelos deveres e obrigações do profissional, entendidos enquanto normas que orientam o seu desempenho. Já o Código profissional que inclui os valores, princípios e normas da profissão constitui o instrumento e não a finalidade em si, em uso no empenho profissional.

Sendo assim, e como reforçado por Oliveira de Brito, o Código Deontológico (CD) pode ser percebido como a exteriorização dos valores que devem reger a profissão e que se materializa pelos Direitos Humanos enquanto fundamento-base de todos os CD.

Face à criação e consolidação do CD, instrumento de e para a profissão, o Juramento cria um compromisso ético em que o profissional se consciencializa do seu papel e das possibilidades interventivas situadas num quadro ético-deontológico. O Juramento como compromisso profissional face à liberdade e dignidade humanas e do enfermeiro, o respeito pelos princípios e valores que regem a profissão, o altruísmo, a liberdade responsável, verdade e justiça, a procura da qualidade no exercício profissional, elementos que merecem destaque diário e um esforço constante por parte de todos os enfermeiros envolvidos no sentido de se valorizar um dos aspectos mais complexos e importantes no campo profissional – ético-deontológico.

A protecção da vida e a protecção da saúde interagem reciprocamente com o direito à protecção da saúde e direito ao cuidados de saúde pelo que e percebe de imediato a sua interligação com os Direitos Humanos através da relação com o cliente/utente, que prefiro nesta circunstâncias tratar por pessoa. Assim o é também afirmado por Lucília Nunes cuja intervenção no decorrer deste Seminário foi exemplo para a continuação da aposta no desenvolvimento profissional multidimensional que integra, quer as cinco áreas de actuação definidas no Regulamento do Exercício Profissional do Enfermeiro, quer as que se intercruzam, como as que concernem à vertente mais relacional ou humana e que é diariamente alvo evidente de desvalorização por parte de alguns profissionais de saúde e motivo de descontentamento por parte da sociedade.

Na verdade, se se verificar que os enfermeiros se deparam constantemente com dilemas éticos e necessidade permanente de tomar decisões complexas cuja resolução está dependente dos valores e princípios éticos, morais e legais, de orientações de conduta, de repente nos apercebemos da importância que esta dimensão assume no campo profissional.

Finalmente, é crucial perceber que a sociedade tem expectativas, que espera algo da actuação dos enfermeiros e que tende a valorizar a sua dimensão moral, sendo que as virtudes institucionais – saber, respeito, serviço, competência e justiça – comprometem o profissional para um maior esforço que concorre para a qualidade no seu desempenho (Ordem dos Enfermeiros, 2005). Importa por isso reflectir ma acima de tudo integrar essas reflexões no exercício diário junto das pessoas que são alvo/parceiros nos cuidados e que merecem uma assistência digna da sua condição humana e particular.

Enf.ª Nisa Gomes

Referência bibliográfica:
ORDEM DOS ENFERMEIROS – Código Deontológico do Enfermeiro: dos Comentários à Análise de Casos. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros, 2005.

Inimici sui amicum nemo in amicitia sumit. (*)


1) No seguimento das intervenções que a Ordem dos Enfermeiros tem vindo a desenvolver e, após a divulgação da Tomada de Posição sobre a Administração de Vacinas e Injectáveis nas Farmácias - divulgada a 1 de Setembro e suportada num parecer do Conselho de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros - a OE teve conhecimento que colegas que inicialmente tinham aceite realizar acções de formação a farmacêuticos suspenderam a sua disponibilidade para tal.

A Ordem dos Enfermeiros congratula-se com compreensão, por parte dos colegas, da problemática que tais atitudes envolvem para a profissão e com o trabalho desenvolvido pelos Presidentes das Secções Regionais da Ordem dos Enfermeiros, nomeadamente das Secções Regionais do Centro e do Sul, na sensibilização dos colegas para esta matéria.


2) Está a Ordem dos Enfermeiros a elaborar um dossiê com as informações de que tem conhecimento, bem como sobre irregularidades verificadas em farmácias, para preparar a sua intervenção.


3) Está ao dispor de todos os membros, NA ÁREA RESERVADA DO SITE, o parecer nº 60/2008 do Conselho de Enfermagem, subordinado ao tema «ORIENTAÇÕES TÉCNICAS PARA A VACINAÇÃO EM SECTOR PRIVADO».


4) Será divulgada informação aos membros sobre o resultado da reunião que se realizará a 23 de Outubro com a Ordem dos Farmacêuticos.


Fonte: Ordem dos Enfermeiros (Link)


O Sala-de-Enfermagem aplaude de pé.

(*)-Não pode ser meu amigo o amigo de meu inimigo.



quarta-feira, 22 de outubro de 2008

1.º Grande Arraial na Farmácia Alfredo (com música a combinar...esse som no máximo!)



(imagem humorística original, toda e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

Okay, a música é boa...mas tentem ler o artigo...vá lá...

Como se não bastassem os últimos avanços por parte de profissionais de áreas distintas, como os farmacêuticos, eis que chega ao correio electrónico de um dos redactores o seguinte anúncio:

Curso de Formação: Auxiliar de Geriatria
Instituto de Ciências da Saúde do Porto
Área de formação: Saúde
Modalidade: Presencial

Distrito: Porto

Preço: 500,00 €

Data Inicio: quinta-feira, 13 de Março de 2008
Duração: 4 meses
Horário: Laboral e Pós Laboral
Local: Rua Júlio Dinis, 748 - 7º andar - 4050-012 Porto (ao Parque Itália)
Número de horas: 100 horas
Objectivos: O curso tem como objectivo dotar os formandos dos conhecimentos e das competências técnicas necessárias para apoiar idosos em instituições ou no seu domicílio.
Programa: Os serviços de prestação de cuidados a idosos (lar de terceira idade;centro de dia,apoio domiciliário) Saúde e cuidados básicos no idoso (Higiene, Alimentação e nutrição do idoso Administração de medicamentos, Incontinência, Úlceras por pressão: prevenção e tratamento, Reabilitação), Gerontologia (Psicologia do idoso,Problemas neurológicos nos idosos,O idoso no confronto com a morte,Como auxiliar os processos de luto no idoso,a importância da reciclagem dos papéis de vida) Promover a qualidade de vida do idoso (Terapia ocupacional,Animação sócio-cultural com idosos) O apoio ao cuidador (Auxiliar o cuidador nos cuidados básicos a ter com o idoso, O apoio psicológico ao cuidador em caso de doença grave ou morte do idoso.


Se não questionamos a pertinência do ponto prevenção, o mesmo não acontece com o ponto tratamento. A menos que, ridiculamente, se limite a "chamar o enfermeiro". É mais um episódio da novela "Enfermeiros? Para quê?". Uma vez que vivemos num país pejado de "super-farmacêuticos-que-sabem-e-fazem-tudo-menos-neurocirurgia-e-transplantes" e, mais recentemente, de "auxiliares-de-geriatria-responsáveis-pela-reabilitação-e-especialistas-em-tratamento-de-feridas" a questão que se impõe é:


Para quê mais médicos e enfermeiros?

Surpreendentemente:

Farmácias vão prestar primeiros socorros:
Os farmacêuticos vão passar a assistir doentes através de cuidados de suporte básico de vida – oxigenar alguém com um ataque de asma ou fazer manobras de reanimação a um diabético com hipoglicemia. A lei permite, a Ordem dos Farmacêuticos (OF) aproveita. E fez um acordo com a Cruz Vermelha Portuguesa para formar os profissionais.
José Mário Miranda, membro da direcção da OF, explica que as farmácias aderentes vão ter um símbolo a identificar que ali se prestam, gratuitamente, cuidados deste tipo.

Ler notícia completa aqui. (clique para ler)

Nós, por cá, gostamos em especial desta notícia. Aliás, aplaudimos de pé. E que tal fechar todos os hospitais? Na compra de duas caixas de Valium oferecemos uma reanimação pós-tentativa de suicídio! Ou na compra de um Vibrocil Gotas Nasais oferecemos uma hora de oxigénio totalmente grátis?

E quem é o responsável pelos cuidados? O senhor Alfredo da farmácia, ajudante técnico de profissão, mas muito simpático! Sim porque o sôtor não está. Está nas Maldivas a gozar os rendimentos provenientes da cartelização e venda de drogas (lícitas...mas drogas). Em breve vai poder fazer a sua cirurgia LASIK(TM) numa farmácia perto de si, a sua trombólise numa farmácia perto de si, a sua Colangiopacreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) numa farmácia perto de si....e a questão que se põe é:

Para quê manter hospitais abertos?

(No Sala de Enfermagem...lamentamos a música...vai um pézinho de dança?)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Estou sim?!




Oito fundadores e supervisores da linha Saúde 24 (800 24 24 24), lançada há ano e meio, escreveram uma carta à ministra Ana Jorge denunciando aquilo que consideram ser “o caos organizativo” em que este serviço caiu.

Segundo a notícia avançada hoje pelo “Correio da Manhã”, a carta, com 15 pontos, os subscritores apontam falhas na plataforma de atendimento, que chega a estar inoperacional por várias horas, dizem que há utentes que ligam para a linha mas que não são atendidos e que há falhas na comunicação com os serviços de emergência.

Na carta, a empresa responsável, regida numa parceria público-privado com a operadora LCS, SA, do grupo Caixa Geral de Depósitos, é ainda acusada de alterar regras no atendimento para poder ganhar mais dinheiro e das triagens dos doentes nem sempre serem eficazes e rápidas como era esperado.

Os supervisores alertam ainda para o facto do director do centro de atendimento ter pedido que as transferências para o INEM sejam imediatas, mesmo antes de uma avaliação correcta das reais necessidades do doente, porque “o Estado só paga se 95 por cento das chamadas forem tratadas e transferidas em menos de 10 minutos”, diz o documento, citado pelo “Correio da Manhã”.

A LCS foi alvo de uma providência cautelar interposta por cinco dos enfermeiros supervisores, que viram os seus horários de trabalho alterados unilateralmente e que se queixam ainda de terem sido impedidos de entrar no local de trabalho e de terem acesso ao sistema informático.

Contactada pela Lusa, a Direcção-Geral de Saúde rejeitou as críticas de falta de eficácia e "caos organizativo" da linha telefónica Saúde 24, alegando que a qualidade do atendimento e o interesse público estão salvaguardados.

"É natural que haja interesse da operadora em ter lucro. Nós, Direcção-Geral da Saúde (DGS), marcamos a diferença no cumprimento da qualidade do serviço público. Asseguramos que a qualidade e o interesse público estão acima de qualquer outro interesse", afirmou à agência Lusa o responsável da DGS pela linha, enfermeiro Sérgio Gomes.

Face às denúncias de falhas no atendimento, a Direcção-Geral da Saúde responde que a taxa de eficácia tem níveis superiores a 95 por cento.

Assim, em 100 chamadas realizadas, menos de cinco ficarão por atender, sublinha Sérgio Gomes, lembrando ainda que a linha Saúde 24 atende uma média de 1600 chamadas diárias.

O balanço ao final de um ano apontava para 125 mil horas de atendimento e 106 mil idas às urgências evitadas.

(fonte:jornal Público)


Em resposta:

A Direcção-Geral de Saúde rejeitou as críticas de falta de eficácia e "caos organizativo" da linha telefónica Saúde 24, alegando que a qualidade do atendimento e o interesse público estão salvaguardados.

(Fonte: Jornal de Notícias)


A ministra da Saúde garantiu, esta segunda-feira, ter informações de que a qualidade do atendimento na linha telefónica Saúde 24 "é boa". Ainda bem que não disse "porreira", ou "jeitosinha", ou "bacana", ou "fixe". Não está bem mas está boa...Boa, Senhora ministra! Sempre em cima do acontecimento. Logo agora que todos esperávamos que dissesse mal de uma iniciativa política socialista.


Resenha de imprensa:

Público: Supervisores da linha Saúde 24 denunciam "caos organizativo" deste serviço

JN: Direcção-Geral nega caos na Linha Saúde 24

CM: Linha Saúde 24 vive no caos


DG: Ministra da Saúde considera atendimento «bom»


RTP: Direcção-Geral garante qualidade no atendimento da Linha Saúde 24




sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quem dá mais? 12.º Ano ou Licenciatura?

Foi no passado dia 22 de Setembro que saiu este concurso (publicado na bolsa de emprego pública dos Açores):

AVISO
1. Para os devidos efeitos, faz-se público que o Hospital de Santo Espírito de Angra do
Heroísmo, E.P.E. pretende recrutar, em regime de contrato de trabalho a termo resolutivo certo, pelo período de seis meses, renovável, ao abrigo da alínea f) do nº 2 do artigo 129º do Código do Trabalho, 34 indivíduos para desempenhar as funções correspondentes à categoria profissional de enfermeiro, com uma carga horária semanal de 40 horas.
2. Remuneração ilíquida mensal: 1.132,93 €, a que acrescerá o montante diário de 4,11 € de
subsídio de refeição.
3. É requisito de admissão possuir o título profissional de enfermeiro.

4. Os candidatos deverão ter disponibilidade para trabalhar por turnos.

5. O método de selecção a utilizar é a avaliação curricular que poderá ser complementada com entrevista de selecção.

6. Os requerimentos deverão ser remetidos pelo correio - Secção de Pessoal do Hospital de
Santo Espírito de Angra do Heroísmo, E.P.E., sita à Canada do Barreiro, 9701-856 Angra do Heroísmo, ou entregues, pessoalmente, no horário de expediente (dias úteis, das 8,30 às 14 horas), até ao dia 30 de Setembro de 2008.
7. Os requerimentos deverão ser devidamente acompanhados da seguinte documentação:

a) Curriculum Vitae;

b) Certificado de habilitações literárias;

c) Quaisquer outros elementos que o candidato considere relevantes para apreciação do seu mérito profissional.

Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE, 22 de Setembro de 2008
O Vogal do Conselho de Administração
Filipe Alexandre Veiga Rocha



Até este ponto todos estamos de acordo. O aviso é bonito, está bem redigido, de acordo com a legalidade e cumprindo os cânones da "arte de bem publicar avisos públicos".

O problema surge no momento da divulgação dos resultados...
Ora consta que, os candidatos que não enviaram o certificado de habilitações literárias exigido foram excluídos. E dizem vocês, foram e muito bem! Afinal consta do ponto 7, alínea b, o envio obrigatório do certificado de habilitações literárias!

Certo amigos leitores, no sala-de-enfermagem estamos de acordo. E, pergunta o senhor leitor, enviando o certificado de habilitações literárias, atestando a licenciatura que se obteve, já somos incluídos? Pois senhor leitor, a resposta é NÃO!

E porquê? Porque, segundo consta, era obrigatório o envio do Certificado de conclusão do 12.º Ano. No entanto, o certificado de habilitações literárias é considerado o certificado que concede o maior grau académico, e portanto o que concede o grau de LICENCIADO em Enfermagem.

Ainda assim, sabemos que para exercer a profissão de Enfermeiro em território nacional basta, apenas, a cédula profissional, uma vez que a Ordem dos Enfermeiros tem como função (para além de regulamentar a prática de enfermagem) atestar, ou não, a capacidade e as habilitações para, legalmente se ter acesso à prática profissional.

No entanto, com a boa vontade dos jovens enfermeiros, lá se vai enviando até porque, se for pedido...sob pena de exclusão, tem mesmo de ser. Mas, enviar o certificado de conclusão do 12.º ano porquê? Mistérios da saúde. Os Açores ainda são Portugal...pelo menos da última vez que vimos um mapa era...

Aqui, no sala de enfermagem, estaríamos em silêncio se constasse do aviso, para além do certificado de habilitações académicas o certificado de conclusão do Ensino Secundário. Mas a realidade é que isto não acontece...ora se me pedem para atestar o meu grau académico. Lamento meus senhores, podem querer pagar-me como licenciado, como bacharel, como Assistente Administrativo ou mesmo como lojista...mas eu sou LICENCIADO!


Segundo parecer colhido junto da Ordem dos Enfermeiros é dada razão aos jovens Enfermeiros que protestam contra mais esta injustiça. Ou devo chamar-lhe anedota?

Segundo opinião expressa no site "forum Enfermagem" pela colega Paula Gomes, as responsáveis por este júri já estão identificadas. Dá para perguntar se, ocasionalmente, se lembraram de ir ver qual o grau académico que permite (em regime normal) o acesso ao Curso de Licenciatura em Enfermagem e se, ocasionalmente, se recordaram de aclarar a noção de "habilitações académicas".


domingo, 12 de outubro de 2008

Cuidados Paliativos são pela vida!

Aproveitando o ensejo para, depois de obviamente lembrar que ontem foi (ver artigo em baixo) o "Dia Mundial dos Cuidados Paliativos", o Sala de Enfermagem deixa-vos um artigo excepcional,

da Autoria da Enf.ª Paula Sapeta, Professora-Coordenadora e Presidente do Conselho Científico da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias e Membro da Direcção da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.



Este artigo foi publicado no Jornal semanário "Reconquista"



ARTIGO COMPLETO (CLIQUE PARA LER).



No Sala de Enfermagem, aplaudimos de pé. E subscrevemos.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Novos Heli's do INEM para 2009.


O presidente do INEM, Abílio Gomes, afirmou ontem que os concursos para o aluguer de três helicópteros a instalar em Ourique, Macedo de Cavaleiros e Aguiar da Beira deverão ser lançados "em breve". Estes aparelhos, tripulados por enfermeiros, deverão começar "a funcionar em 2009".

Anunciados pelo Governo como reforços em troca do fecho de SAP e Urgências, os helicópteros foram questionados pelo próprio presidente doINEM. Tendo por base um estudo técnico, Abílio Gomes afirmou em Julho que "houve uma nova adaptação dos pontos de rede e os pressupostos que levaram à expectativa de novos meios aéreos já não se verificam". Ontem, o responsável disse apenas: "Em última análise, quem decide é a tutela. Nós temos a obrigação de executar o projecto da tutela."

Não é novidade...são apenas é maior número. Isto é, se a tutela deixar...

CM: Ler notícia AQUI. (clique para ler)

Imagem:Bombeiros de Portugal.

Healthcare Professionals Crossing Borders


O Healthcare Professionals Crossing Borders (HPCB) lançou um inquérito aos visitantes do seu site da internet. Trata-se de um conjunto de dez questões, disponíveis até 10 de Outubro, que pretende atestar a opinião de quem passa pelo site acerca do trabalho desenvolvido pelo HPCB e a avaliar a forma como é encarado o real papel da regulação na Europa.

Quem estiver interessado em responder a este inquérito poderá fazê-lo em inglês ou francês.

Segundo os promotores desta iniciativa, os resultados obtidos serão uma importante ferramenta para o actual trabalho do HPCB e poderão ajudar a antever o seu desenvolvimento futuro.

No ano passado, no dia 8 de Outubro, a HPCB foi a organização responsável pela criação e implementação do Acordo de Portugal. Assinado em Lisboa, este acordo preconiza as linhas orientadoras das Entidades Reguladoras da Saúde nos países europeus. Tudo isto de uma forma voluntária.


Ler todo o Acordo (clique para ler).


Ler o resumo do Acordo (clique para ler).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Prémio Nacional de Saúde 2008

A antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros Mariana Dulce Diniz de Sousa foi distinguida com o Prémio Nacional de Saúde 2008, pelos «contributos inequívocos prestados no decurso do seu desempenho profissional», anunciou a Direcção-Geral da Saúde (DGS).
A galardoada foi bastonária da Ordem dos Enfermeiros de 1999 a 2004.
Segundo refere a nota da DGS sobre a decisão do júri, Mariana Dulce Diniz de Sousa marcou, pela sua «reconhecida competência e qualidade de desempenho, a enfermagem em Portugal, com especial relevância nos seus aspectos de organização, administração, ensino e dignificação profissional dos enfermeiros que, inequivocamente, contribuíram para a obtenção de ganhos de saúde e prestígio das organizações no âmbito do SNS».
A Sala de Enfermagem encara de forma especial o facto de tal distinção ter recaído sobre uma enfermeira, o que vem dar, mais uma vez, a visibilidade que a classe merece, especialmente por este prémio, criado em 2006, visa distinguir anualmente, pela relevância e excelência no âmbito das Ciências da Saúde, nos seus aspectos de promoção, prevenção e prestação de cuidados, uma personalidade que tenha contribuído, inequivocamente, para a obtenção de ganhos em saúde ou para o prestígio das organizações no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.

Os anteriores galardoados foram:
2006 – Dr. Albino Aroso, um dos maiores impulsionadores do Planeamento Familiar em Portugal, e com um reconhecido trabalho na área materno-infantil.
2007 - Professor Doutor Fernando de Pádua, o seu nome está associado à prevenção das doenças cardiovasculares e demais doenças crónicas não transmissíveis.

Desmame Precoce – Análise dos Indicadores de Saúde em Crianças dos Zero aos Cinco Anos


Trabalho de conclusão do curso de Especialização em Saúde da Família, realizado na cidade de Laranjal do Jarí, estado do Amapá, sob orientação do professor João Farias Trindade.

Por:
Domingos de Oliveira-Enfermeiro do P.I.T.S./AP/L.J.(BR)
Luciane Alves Ribeiro-Enfermeira do P.I.T.S. /AP/L. J.(BR)


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Plurima praestat amor, sed sacra pecunia cuncta (*)

Judas deixando as trinta moedas cair enquanto as recebia.



Não foi com surpresa que vimos a Ordem dos Enfermeiros lutar, e bem na nossa opinião, contra a usurpação de funções levadas a cabo por profissionais de outras áreas. Falamos obviamente da novela farmacológica da Ordem dos Farmacêuticos.

Mesmo de pois de, no parecer emitido pela Ordem dos Enfermeiros constar que "Não devem os enfermeiros realizar acções de formação que transfiram para outros profissionais as competências da actividade profissional" e após a tomada de posição destinada à população do sentido desta não aceitar este procedimento em Farmácias que não disponham de Enfermeiros, eis que algumas colegas aceitaram colaborar com a Ordem dos Farmacêuticos na formação dos mesmos. Mesmo depois do Anúncio publicado pela Ordem dos Enfermeiros.

Apadrinhada pela Ordem dos Farmacêuticos realizar-se-à, nos próximos dias 6, 7 e 8 de Outubro, sob a tutela da Direcção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos organiza uma das duas edições do Curso de Administração de Injectáveis. Local? No Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, no Monte da Caparica. Este curso terá, espantem-se, 20 horas de formação. Toda uma ciência.

Curso de Administração de Injectáveis.

Módulo 1 - Relação Utente/Farmacêutico
Módulo 2 - Princípios Gerais de Assepsia
Módulo 3 - Procedimentos de Suporte Básico de Vida para Farmacêuticos
Módulo 4 - Aspectos Farmacêuticos da Prestação deste Serviço
Módulo 5 - Injecção Intramuscular
Módulo 6 - Injecção Subcutânea
Módulo 7 - Técnica de Injecção IM
Módulo 8 - Técnica da Injecção SC


Como se já não bastasse a vergonha maior de ver ENFERMEIROS a prestar formação, por uns euros, nesta venda de banha-da -cobra, vemos ainda conteúdos EXCLUSIVOS da ENFERMAGEM serem devorados por outros grupos profissionais. Falo obviamente da Assépsia, ex-libris do ensino e prática da Enfermagem Moderna.
O nome e percurso profissional das enfermeiras que se sujeitaram a leccionar neste curso estão disponíveis no blogue Doutor Enfermeiro, Aqui (Clique para Ler).

(*)-O Amor faz muito, mas o dinheiro faz mais.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Carta Aberta

O Passado:

Sou Enfermeiro e foi com enorme pesar que li esta carta. Não pela atitude do jovem enfermeiro, mas sim pela realidade que ele expõe. Sei que não faz parte do propósito inicial deste blogue...peço desculpa por isso, de qualquer forma, aqui fica.


"Exmo. Senhor Ministro da Saúde Correia de Campos,

Sou uma pessoa que concluiu, este ano, a Licenciatura em Enfermagem e venho, com grande embaraço, pedir-lhe emprego.

Eu sei que é um pedido estranho mas foram pessoas que já estão a trabalhar na área que me aconselharam a fazê-lo. O que me têm vindo a dizer é que devo pedir uma “cunha”. No início desconhecia a palavra e então fui ver ao dicionário e encontrei isto: “instrumento de ferro ou madeira, para fender pedras, madeira, etc.”. Mesmo a achar estranho, fui à procura de uma mas não encontrei na minha cidade e não podia ir a outra pois os meus pais não me tinham dado dinheiro suficiente. Os meus pais, coitados, já me deram tanto dinheiro durante o curso (imagine a darem 970€/ano no mínimo, mais dinheiro alojamento, alimentação, livros, fotocópias e outras coisas) e agora para cartas, avisos de recepção, fotocópias, autenticações, etc. só para concorrer para listas de espera para trabalhar. Ai, peço desculpa pelo desabafo. Voltando à “cunha”. Como disse não encontrei nenhuma “cunha” e desisti.

Passados uns 3 meses de ter acabado o curso decidi ir trabalhar para outra coisa sem ser enfermeiro, para não pedir mais dinheiro aos meus pais. Fui, então, a um shopping na minha área de residência, ao Dolce Vita que de certeza que deve conhecer, e entrei numa loja de sapatos para crianças. Entreguei o meu curriculum vitae, onde não ocultei a minha Licenciatura em Enfermagem, a Dona da Loja disse logo “Um Enfermeiro a pedir emprego numa Sapataria, está assim tão mal?”. Após uns 3 minutos de conversa ela diz logo para começar no dia seguinte. No primeiro dia fiquei com ela em integração e em conversa ela perguntou porque não arranjava uma “cunha” para os hospitais mais perto, ao que respondi que não encontrei nada mas que o pedreiro, meu vizinho, sabia de uma loja que vendia umas. Logo a Dona começou a rir-se e então perguntei porquê tal gargalhada. Prontamente me explico que “cunha” também significa pessoa que consegue pedir a que admite os Enfermeiros nos Hospitais ou outra entidade de saúde para os colocar à frente de outros ou simplesmente lhe dar emprego.

E então pensei: como não conheço ninguém assim por que não pedir ao Ministro da Saúde, o mais indicado para esta situação e que tem o mesmo apelido que eu, para que fosse a minha “cunha”? É esse o motivo pelo qual lhe mando este e-mail a pedir-lhe emprego. Posso dizer-lhe que não tenho experiência profissional, pois os estágios académicos não contam. No entanto, posso dizer-lhe que tenho imensa experiência em Pediatria por trabalhar neste momento numa loja de calçado para crianças, em Ortopedia por que vendo sapato formativo e ortopédico e em Infecciologia por que vendemos palminhas anti-bacterianas e anti-fúngicas.

E agora você deve estar a questionar-se o porquê de ainda não ter um emprego como Enfermeiro tendo eu esta experiência toda e se me candidatei aos concursos que abriram. Eu candidatei-me mas tenho ficado em 300º lugar ou em outros em 1000º lugar. E com poucas vagas (eu compreendo que você tem uma cota definida para meter “cunha”) é difícil ficar com um emprego. Eu penso que fico com esta classificação porque a maioria têm mais experiência em Sapataria, Bares, McDonald’s, entre outras coisas do que eu. O facto de concorrem muitos Enfermeiros penso que se deve ao facto de ainda pensarem que “cunha” significa “instrumento de ferro ou madeira, para fender pedras, madeira, etc.”.

Sem mais nenhum assunto termino este e-mail pois quero chegar cedo à passagem de turno da loja. E ainda tenho muitas coisas para fazer hoje, pois em um mês sou como um gerente da loja, disse a Dona da Loja que tinha excelente capacidades e que os serviços de saúde perdiam muitos em não me ter. O mesmo dizem os Clientes, a quem faço questão de dizer que sou Enfermeiro pois sei lá se qualquer diz não aparece na loja um parente seu e me ajude.

E deixo-o, então, com este meu pedido e rezo, agarrado à “cunha” de metal que comprei com o meu primeiro ordenado na loja, que me consiga algo urgentemente.

Cumprimentos,
Um Enfermeiro perto de si"

Senhor Enfermeiro, como o compreendo. Experimente pedir mudança de paternidade ou adopção por uma enfermeira(o), julgo que resultará. Depois tente um Hospital EPE.

A magia é a mesma: