Mostrar mensagens com a etiqueta contratação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta contratação. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quem dá mais? 12.º Ano ou Licenciatura?

Foi no passado dia 22 de Setembro que saiu este concurso (publicado na bolsa de emprego pública dos Açores):

AVISO
1. Para os devidos efeitos, faz-se público que o Hospital de Santo Espírito de Angra do
Heroísmo, E.P.E. pretende recrutar, em regime de contrato de trabalho a termo resolutivo certo, pelo período de seis meses, renovável, ao abrigo da alínea f) do nº 2 do artigo 129º do Código do Trabalho, 34 indivíduos para desempenhar as funções correspondentes à categoria profissional de enfermeiro, com uma carga horária semanal de 40 horas.
2. Remuneração ilíquida mensal: 1.132,93 €, a que acrescerá o montante diário de 4,11 € de
subsídio de refeição.
3. É requisito de admissão possuir o título profissional de enfermeiro.

4. Os candidatos deverão ter disponibilidade para trabalhar por turnos.

5. O método de selecção a utilizar é a avaliação curricular que poderá ser complementada com entrevista de selecção.

6. Os requerimentos deverão ser remetidos pelo correio - Secção de Pessoal do Hospital de
Santo Espírito de Angra do Heroísmo, E.P.E., sita à Canada do Barreiro, 9701-856 Angra do Heroísmo, ou entregues, pessoalmente, no horário de expediente (dias úteis, das 8,30 às 14 horas), até ao dia 30 de Setembro de 2008.
7. Os requerimentos deverão ser devidamente acompanhados da seguinte documentação:

a) Curriculum Vitae;

b) Certificado de habilitações literárias;

c) Quaisquer outros elementos que o candidato considere relevantes para apreciação do seu mérito profissional.

Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE, 22 de Setembro de 2008
O Vogal do Conselho de Administração
Filipe Alexandre Veiga Rocha



Até este ponto todos estamos de acordo. O aviso é bonito, está bem redigido, de acordo com a legalidade e cumprindo os cânones da "arte de bem publicar avisos públicos".

O problema surge no momento da divulgação dos resultados...
Ora consta que, os candidatos que não enviaram o certificado de habilitações literárias exigido foram excluídos. E dizem vocês, foram e muito bem! Afinal consta do ponto 7, alínea b, o envio obrigatório do certificado de habilitações literárias!

Certo amigos leitores, no sala-de-enfermagem estamos de acordo. E, pergunta o senhor leitor, enviando o certificado de habilitações literárias, atestando a licenciatura que se obteve, já somos incluídos? Pois senhor leitor, a resposta é NÃO!

E porquê? Porque, segundo consta, era obrigatório o envio do Certificado de conclusão do 12.º Ano. No entanto, o certificado de habilitações literárias é considerado o certificado que concede o maior grau académico, e portanto o que concede o grau de LICENCIADO em Enfermagem.

Ainda assim, sabemos que para exercer a profissão de Enfermeiro em território nacional basta, apenas, a cédula profissional, uma vez que a Ordem dos Enfermeiros tem como função (para além de regulamentar a prática de enfermagem) atestar, ou não, a capacidade e as habilitações para, legalmente se ter acesso à prática profissional.

No entanto, com a boa vontade dos jovens enfermeiros, lá se vai enviando até porque, se for pedido...sob pena de exclusão, tem mesmo de ser. Mas, enviar o certificado de conclusão do 12.º ano porquê? Mistérios da saúde. Os Açores ainda são Portugal...pelo menos da última vez que vimos um mapa era...

Aqui, no sala de enfermagem, estaríamos em silêncio se constasse do aviso, para além do certificado de habilitações académicas o certificado de conclusão do Ensino Secundário. Mas a realidade é que isto não acontece...ora se me pedem para atestar o meu grau académico. Lamento meus senhores, podem querer pagar-me como licenciado, como bacharel, como Assistente Administrativo ou mesmo como lojista...mas eu sou LICENCIADO!


Segundo parecer colhido junto da Ordem dos Enfermeiros é dada razão aos jovens Enfermeiros que protestam contra mais esta injustiça. Ou devo chamar-lhe anedota?

Segundo opinião expressa no site "forum Enfermagem" pela colega Paula Gomes, as responsáveis por este júri já estão identificadas. Dá para perguntar se, ocasionalmente, se lembraram de ir ver qual o grau académico que permite (em regime normal) o acesso ao Curso de Licenciatura em Enfermagem e se, ocasionalmente, se recordaram de aclarar a noção de "habilitações académicas".


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Carta Aberta

O Passado:

Sou Enfermeiro e foi com enorme pesar que li esta carta. Não pela atitude do jovem enfermeiro, mas sim pela realidade que ele expõe. Sei que não faz parte do propósito inicial deste blogue...peço desculpa por isso, de qualquer forma, aqui fica.


"Exmo. Senhor Ministro da Saúde Correia de Campos,

Sou uma pessoa que concluiu, este ano, a Licenciatura em Enfermagem e venho, com grande embaraço, pedir-lhe emprego.

Eu sei que é um pedido estranho mas foram pessoas que já estão a trabalhar na área que me aconselharam a fazê-lo. O que me têm vindo a dizer é que devo pedir uma “cunha”. No início desconhecia a palavra e então fui ver ao dicionário e encontrei isto: “instrumento de ferro ou madeira, para fender pedras, madeira, etc.”. Mesmo a achar estranho, fui à procura de uma mas não encontrei na minha cidade e não podia ir a outra pois os meus pais não me tinham dado dinheiro suficiente. Os meus pais, coitados, já me deram tanto dinheiro durante o curso (imagine a darem 970€/ano no mínimo, mais dinheiro alojamento, alimentação, livros, fotocópias e outras coisas) e agora para cartas, avisos de recepção, fotocópias, autenticações, etc. só para concorrer para listas de espera para trabalhar. Ai, peço desculpa pelo desabafo. Voltando à “cunha”. Como disse não encontrei nenhuma “cunha” e desisti.

Passados uns 3 meses de ter acabado o curso decidi ir trabalhar para outra coisa sem ser enfermeiro, para não pedir mais dinheiro aos meus pais. Fui, então, a um shopping na minha área de residência, ao Dolce Vita que de certeza que deve conhecer, e entrei numa loja de sapatos para crianças. Entreguei o meu curriculum vitae, onde não ocultei a minha Licenciatura em Enfermagem, a Dona da Loja disse logo “Um Enfermeiro a pedir emprego numa Sapataria, está assim tão mal?”. Após uns 3 minutos de conversa ela diz logo para começar no dia seguinte. No primeiro dia fiquei com ela em integração e em conversa ela perguntou porque não arranjava uma “cunha” para os hospitais mais perto, ao que respondi que não encontrei nada mas que o pedreiro, meu vizinho, sabia de uma loja que vendia umas. Logo a Dona começou a rir-se e então perguntei porquê tal gargalhada. Prontamente me explico que “cunha” também significa pessoa que consegue pedir a que admite os Enfermeiros nos Hospitais ou outra entidade de saúde para os colocar à frente de outros ou simplesmente lhe dar emprego.

E então pensei: como não conheço ninguém assim por que não pedir ao Ministro da Saúde, o mais indicado para esta situação e que tem o mesmo apelido que eu, para que fosse a minha “cunha”? É esse o motivo pelo qual lhe mando este e-mail a pedir-lhe emprego. Posso dizer-lhe que não tenho experiência profissional, pois os estágios académicos não contam. No entanto, posso dizer-lhe que tenho imensa experiência em Pediatria por trabalhar neste momento numa loja de calçado para crianças, em Ortopedia por que vendo sapato formativo e ortopédico e em Infecciologia por que vendemos palminhas anti-bacterianas e anti-fúngicas.

E agora você deve estar a questionar-se o porquê de ainda não ter um emprego como Enfermeiro tendo eu esta experiência toda e se me candidatei aos concursos que abriram. Eu candidatei-me mas tenho ficado em 300º lugar ou em outros em 1000º lugar. E com poucas vagas (eu compreendo que você tem uma cota definida para meter “cunha”) é difícil ficar com um emprego. Eu penso que fico com esta classificação porque a maioria têm mais experiência em Sapataria, Bares, McDonald’s, entre outras coisas do que eu. O facto de concorrem muitos Enfermeiros penso que se deve ao facto de ainda pensarem que “cunha” significa “instrumento de ferro ou madeira, para fender pedras, madeira, etc.”.

Sem mais nenhum assunto termino este e-mail pois quero chegar cedo à passagem de turno da loja. E ainda tenho muitas coisas para fazer hoje, pois em um mês sou como um gerente da loja, disse a Dona da Loja que tinha excelente capacidades e que os serviços de saúde perdiam muitos em não me ter. O mesmo dizem os Clientes, a quem faço questão de dizer que sou Enfermeiro pois sei lá se qualquer diz não aparece na loja um parente seu e me ajude.

E deixo-o, então, com este meu pedido e rezo, agarrado à “cunha” de metal que comprei com o meu primeiro ordenado na loja, que me consiga algo urgentemente.

Cumprimentos,
Um Enfermeiro perto de si"

Senhor Enfermeiro, como o compreendo. Experimente pedir mudança de paternidade ou adopção por uma enfermeira(o), julgo que resultará. Depois tente um Hospital EPE.

A magia é a mesma:


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Omnia si perdas, famam servare memento

Não foi com espanto que ouvi a Ministra da Saúde, Dr.ª Ana Jorge, referir a falta de compreensão no que toca à Greve Nacional de Enfermeiros agendada para os próximos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro.
Seria de esperar que, após a recente vitória acerca do debatido Modelo de Desenvolvimento Profissional, os ânimos reivindicativos esmorecessem e os Sindicatos arrumassem as bandeiras. Esta é, obviamente, a visão institucional. Será então lógico que, depois de Dezembro do presente ano (data de apresentação em Conselho de Ministros da proposta) a situação se irá, de imediato, inverter? A resposta do Sala de Enfermagem é não.
No que toca à admissão, por exemplo, o que passa actualmente é gritante. Jovens Enfermeiros, formados com verba oriunda da Administração Pública, acumulam-se nos bancos dos Centros de Emprego. São licenciados, representam a entrada com médias ainda elevadas (à quatro anos atrás) e, passivamente, esperam a integração nas instituições. Mas…nem todos. As entradas veladas sucedem-se uma após a outra e acontecem frequentemente com Enfermeiros oriundos de Escolas privadas. Estes, não raras vezes, são admitidos nas instituições através do referido sistema velado que nada abona a favor da imagem da Enfermagem moderna. Em detrimento dos Enfermeiros oriundos de Escolas públicas, com médias de acesso mais altas e, portanto, com maior motivação, maior investimento intelectual prévio e, eventualmente, com maior capital intuitivo. Jobs for the Boys, onde é que eu já ouvi isto? Presumo que seja no mesmo país onde a média de acesso não é importante, excepto se for num concurso público. E mesmo assim, apenas se corresponder aos critérios apertados, criados de forma a seleccionar, de forma dirigida, o futuro profissional. Este modus operandi prático, mas flagrante, constitui a forma de aumentar o ângulo em relação ao solo mantendo, ainda assim, menos de 90º. A Física da empregabilidade é semelhante à Física espacial, depende do ponto de vista e das interacções.
Este problema nasce da incapacidade de absorção, por parte do mercado de emprego, de todos (ou da maior parte) dos licenciados em Enfermagem. Estará o defeito do lado do Ministério da Ciência e Ensino Superior, que forma em larga escala, ou do lado do Ministério da Saúde, cujas políticas economicistas restringem o acesso dos profissionais ao mercado de trabalho? Ou ainda, de sucessivos erros administrativos que levaram a uma exaustão económica que levou a uma má distribuição dos recursos?
Na opinião que me concedem o erro está, infelizmente, numa combinação destes factores com uma inércia social generalizada. Vivemos num país de brandos costumes, e os costumes brandos não são brandos com quem os apregoa. A senhora Ministra da Saúde não compreende a Greve. Quanto a nós, Enfermeiros e redactores deste blogue, não compreendemos como é que, correndo tudo de feição, os problemas se continuam a amontoar no Sistema Nacional de Saúde. Omnia si perdas, famam servare memento, citação latina para "Perca-se tudo, menos a honra", lutemos para que isso não ocorra.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Aumentamos os efectivos

Ao contrário do que acontece no Sistema Nacional de Saúde, esta Sala de Enfermagem quer-se com os efectivos necessários. É um prazer anunciar que "contratamos" mais um autor, mais um Enfermeiro, que brevemente apresentará as suas palavras e resultados de pesquisa neste blogue.
Assinará sob o pseudónimo de Enfermeiro e, na opinião do Administrador, é sem dúvida uma mais valia para o "serviço".

Damos as boas vindas ao "Enfermeiro" e aguardamos ansiosamente a sua primeira contribuição.

O concurso continua aberto, façam chegar o desejo de integrar fileiras através do blogue!